Clicloturismo ou Cicloturismo?
A retórica do título me fez pensar no que ouvi e no que vivi pedalando para viajar.
No mês de novembro particiepei de dois encontros de cicloturismo e ouvi algumas versões do que é cicloturismo.
A primeira delas, foi uma citada por um dono de agência de viagens de bike que mencionou a definicão do Ministério do Turismo que considera que para ser turismo é preciso que a pessoa durma fora de casa pelo menos uma noite. Nesse caso, cicloturismo seria então um viagem de bike onde a pessoa use um hotel ou acampe por aí. Uma definição meramente econômica.
A outra, ouvida no encontro na cional de cicloturismo, é de que você saindo de bicicleta para ir conhecer um outro lugar, mesmo que na sua cidade, seria cicloturismo. Essa é uma versão ampla com que concordo. Pedalar por aqui é o que mais importa. Sempre.
Mas pensando nessas duas versões e em minhas viagens, lembrei que há um ponto em que o cicloturismo é único e, talvez aí sim, teriamos a melhor característica desse tipo de atividade. É quando você ouve o seguinte par de perguntas: “De onde você vem ? “ e “Para onde vai?”.
Você só ouve isso quando coloca os alforjes na bike. A combinação bike + alforjes é imbatível. E o que segue do papo depois dessas perguntas é sempre algo divertido. Ainda mais quando você já esta longe do ponto de partida. Quanto mais distante, mais as pessoas ficam adimiradas e resolvem lhe contar sobre suas aventuras ou sobre o desejo de se aventurar igual a você.
Se for no cicloturismo, se prepare para responder a uma enxurrada de perguntas e para ouvir vários porques de não ter feito nada parecido. Pronto, nesse ponto da conversa, você ja usou 15 minutos do tempo da sua viagem. Mas é um tempinho bem gasto, você já tem mais um amigo. Mesmo que nunca mais fale com ele, se lembrara dele sempre ao contar sua viagem e ele sempre de que um dia cruzou com um maluco viajando com uma casinha na bike.
Tem também os negativos. Depois de fazer o mesmo par de perguntas começam a dizer que é prerigoso, que somos loucos, que vamos desistir na próxima cidade ou até que ao final da viagem iremos vender a bike e nunca mais montar em outra. Isso tudo já ouvi. Mas dá pra sentir uma pontinha de desejo de fazer o mesmo nessas pessoas. Elas só veem o lado ruim para não correr o risco de fazer o mesmo que a gente.
Seja qual a forma de cicloturismo que você faça, ela é válida, mas se um dia puder colocar alforjes na bike e sair para uns 500 km, você sentirá a magia de viajar de bike em sua plenitude. E prepare-se para colecionar amigos.
Marcelo Rudini
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