Cicloturismo e a arte de fazer amigos
Na minha última viagem senti a diferença entre pedalar numa estradinha rural contra pedalar no acostamento de uma rodovia.
No encontro de cicloturismo, os três que deram a volta ao mundo de bike e que lá estiveram para contar um pouco das suas histórias, foram unânimes em afirmar que o melhor do cicloturismo são as pessoas, os amigos que você faz pelo caminho.
Mesmo sem dar a volta ao mundo é possível entrar em contato com essa magia do cicloturismo. Basta colocar um alforje na bike e passar por um estrada onde você que cruza com pessoas que a magia acontece. As pessoas param, olham e o papo começa.
Na última viagem, num dos trechos, tivemos que usar o asfalto para chegarmos ao objetivo do dia. No meio desse trecho, o Valci soltou uma pérola: parece que comemos uma feijoada, esta um silêncio pós esbórnia.
Na hora essa observação me fez perceber que aquele pedal de quase uma hora foi o mais pobre da viagem. Fomos de um ponto a outro e só. Não conhecemos ninguém, não curtimos a estrada. Foi só esporte.
No dia seguinte, voltarmos para a labuta do sobe e desce dos morros da Bahia. Foi duro. Mas aí apareceu o professor Sérgio e sua renca de alunos que vai coletando pelo caminho pra levar pra escola. Fomos alcançados por um agricultor tripidando em seu jegue para nos avisar que tinhamos pegado o caminho errado. E por fim, almoçamos banana com cacau na Dna Mariana, um anjo que supriu a falta de vendas abertas com uma generosidade que só quem tem pouco é capaz de ter.
Foram mais de 6 horas para percorrer 25 km, mas foi um dos pedais mais ricos que já fiz em toda minha vida.
Essa riqueza esta somente quando fugimos da rota dos automóveis e nos embranhamos num Brasil que a maioria não vê porque prefere chegar antes, chegar mais rápido. No entanto, o melhor esta no processo e amigos que fazemos no caminho.
Cicloturismo são pessoas.




Poste seu comentário