Com escolher uma câmera fotográfica digital
Essa é uma pergunta que já respondi inúmeras vezes. Agora resolvi colocar em um texto o que já respondi e tentar fazer um guia para que as pessoas possam ter fotos melhores.
Primeira coisa que as pessoas devem saber sobre fotografia digital é: o que mudou foi apenas o suporte que grava a imagem. De filme para sensor eletrônico: CCD ou CMOS. E mesmo sendo eletrônica, a máxima de que tamanho é documento em fotografia continua valendo. Quanto maior o sensor, e provavelmente a câmera, melhor. O mesmo vale para a lente.
Por isso, objetos com dezenas de megapixels que cabem no bolso da camisa sem fazer volume podem ser qualquer coisa, menos máquinas fotográficas.
Sensores
A discussão sobre sensores tanto para tipo como para tamanho nunca foi abordada pelos marqueteiros de plantão das empresas fabricantes. Só a quantidade de megapixel é brandida aos quatro ventos e numa escalada frenética, era superada a cada mês por uma e outra em busca de novos mercados. Essa escalada parou um pouco agora, mas isso viciou os consumidores a olhar somente para os MPs na hora de comprar uma câmera. O tamanho do sensor foi deixado de lado e ainda hoje só discutido por profissionais ou sites especializados de verdade.
Se você pegar uma câmera de 6 mp com sensor do tamanho de 16mm e outra de 10 mp com sensor de 10 mm, a primeira vai fazer foto melhor mesmo tendo que aumentar a imagem no computador. Portanto, tamanho do sensor importa e deve ser a primeira coisa a ser olhada.
Quanto ao tipo do sensor, hoje em dia não importa mais. O CMOS por muito tempo foi renegado por ser mais instável apesar de mais barato. A minha primeira G1 da Canon apresentava um ruído infernal em tonalidades médias e lisas, mesmo com grande iluminação. A Canon só conseguiu fazer dele algo viável de verdade com o aprimoramento do dos programas de firmware que estabilizaram melhor o sensor.
Marcas
As marcas que realmente entendem de sensores para fotografia são poucas: Canon, Sony, Nikon e Kodak. Dessas quatro apenas a Nikon não fabrica o sensor, usa os da Sony, mas com programas próprios de controle. A Canon é a mais experiente por ter começado cedo e ter desenvolvido tudo dentro de casa. A Kodak foi a pioneira, mas demorou para se firmar, e hoje ela ainda só é boa em sensores de tamanho full frame para cima. A Kodak equipa máquinas que tem preço inicial em 4 mil dólares.
Todas as outras marcas que você achar por aí podem ser consideradas de segunda linha. Até fazem um trabalho brilhante para fotos no Orkut, um trabalho razoável para ampliações até 20x25cm, mas se você quiser algo mais que isso ou mostrar suas fotos em televisão fullframe com qualidade é melhor se preparar mais. Resumindo, vai ter que gastar mais.
Lentes
Mais uma vez tamanho é documento. Lentes mais largas, ou seja, que trabalham com menos luz são melhores, mesmo para lugares bem iluminados ou fotos externas. Isso porque, mesmo você trabalhando com o diafragma fechado, ela tem um índice de refração menor por ter as paredes da lente mais longe de onde esta passando o raio de luz que será usado pelo sensor. Além disso, são voltadas para profissionais e tem mais camadas de anti-reflexo que reduzem ainda mais a refração.
Esse é um fator a ser procurado, lente multi-coated. Essas lentes geralmente só são encontradas para câmeras reflex, as que permitem troca de lentes. Além de produzir uma imagem mais contrastada e definida, elas são geralmente seladas para evitar que poeira ou umidade passem para dentro da lente.
Nas câmeras compactas, não há muito que escolher em termos de lente. Tente ver apenas o F máximo que a câmera consegue. Nos modelos mais comuns você vai encontrar geralmente f8, se encontra maior (f11, f16, etc.), a lente é melhor. E aí a abertura máxima da lente, quanto maior, melhor. Colocando de outra forma, quando mais larga a lente da câmera, melhor.
Outro fator a ser lembrado é a projeção ótica, é necessário algum espaço, ou seja, o conjunto de vidros precisa formar a câmera escura para projetar a imagem sem deformação sobre o sensor. É necessário espaço para posicionar os vários elementos de uma lente, quanto mais espaço for necessário, mais elementos tem na lente e melhor a qualidade da imagem. Nas câmeras em que a lente nem sai da caixa da máquina, com certeza essa projeção não é das melhores.
Flash
Fotografia é escrever com luz. Isso você já deve ter ouvido, agora quantas vezes você investiu em um flash extra ou se preocupou em ter uma câmera com um flash embutido maiorzinho? Para fotos noturnas e mesmo diurnas em contraluz o flash é fundamental.
Na hora de escolher a máquina, você pode levar em conta uma que permita colocar um flash extra. Hoje praticamente todas as câmeras tem controle TTL para os flashes, basta colocar na sapata que ele faz o resto. TTL quer dizer controle de exposição pela lente.
Reflex ou compacta
Mesmo escolhendo entre as marcas citadas acima, as compactas não fazem milagre. Elas são para produzir fotos até 20x25 cm com qualidade fotográfica. Existe uma série de compactas que utilizam os sensores das reflex. Dessa série, é possível tirar imagens maiores com qualidade. No entanto, seu preço é igual à reflex irmã.
Compactas que produzem arquivos RAW, ou seja, cru possibilitam tratamentos melhores das imagens. Outra grande vantagem das compactas é já ter câmara estanque como acessório. Para aventureiros esse é um item fundamental.
A principal vantagem da reflex é você poder usar lentes de qualidade superior. Hoje há modelos que são quase do tamanho das compactas sem a lente extra. Com uma lente melhor, ela ocuparia o tamanho de duas compactas de respeito. Outra vantagem já embutida nas reflex, mas que você pode achar nas menores é a resposta para disparo. Nas compactas de baixo valor, você aperta o disparador e ele parece que esta saindo de um sono profundo até resolver disparar.
Agora que você sabe um pouco mais sobre o que compõe uma câmera digital, comece a escolher a sua pelo uso que quer dar as fotos por ela produzidas. Se for só pra usar no Orkut ou Facebook, esqueça tudo que leu. Se pretender imprimir ou produzir DVDs para apresentar a amigos na sua nova TV full HD, é melhor pensar duas vezes antes de comprar uma máquina qualquer.
Sobre o autor:
Marcelo Rudini além de editar o OP é fotojornalista freelancer e atende ou já atendeu as principais revistas do Brasil, tais como: Veja, Época, Carta Capital, Exame, Info, Marie Claire, Auto Esporte, Runner’s Brasil, Placar, etc. Fotografa em digital desde o aparecimento da Canon G1 (hoje já em G10) em 99.



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