Home | Roteiros | Relatos | Travessia das Ilhas - De Cananéia /SP à Ilha do Mel /PR

Travessia das Ilhas - De Cananéia /SP à Ilha do Mel /PR

Nessa cicloaventura, mais uma vez o fator transporte até o ponto de partida foi nosso tendão de aquilies. Resolvemos então contratar uma Van (o que nunca sai muito barato) para nos levar até a Estrada do Ariri em Cananéia, litoral sul de SP.

Por
Tamanho da fonte: Decrease font Enlarge font

Chegamos lá por volta das 5:00h da manhã, fizemos um lanche e ainda escuro da noite saimos sentido à Vila do Ariri... nenhum dos 7 ciclistas já tinha ouvido falar desse lugar, então tudo era novidade. Foi manhecendo e pudemos então ver onde estávamos. Uma paisagem meio montanha meio litoral. Havia chovido batane aquela semana, havia muito barro e os 60 km dessa estrada eram os mais agradáveis possíveis. Por volta das 9:00h paramos para um café, mas nada de encontrarmos um bar aberto, o único de toda a região estava fechado. Paramos na varanda e alí mesmo comemos as sobras do nosso lanche. Nisso apareceram alguns pescadores locais, curiosos com nossas bikes e alforjes. Ficamos de papo, mas tivemos que seguir. Pela Estrada do Ariri, depois de cair a ficha de que estávamos em plena cicloviagem, e a descontração começou a tomar conta da galera... mas depois de passarmos a noite acordados numa Van... o cansaço tava pegando. Chegamos na Vila do Ariri, foi muito fácil encontrar o local de nosso pernoite. A vila é bem pequena, somente pescadores e nos finais de semana há uma invasão de pescadores da cidade grande que encontram ali um paraiso para repousarem e passarem o dia em seus barcos no mar. Eu já havia feito reserva por telefone (aliás foi um ciclista qe me deu a dica) na casa do Sr. Bibi, figura muito simpática, que tem lá vários quartos com banheiro que aluga para os ais pescadores. Ainda era tão cedo, 11:00h e pintou aquela dúvida: ficamos aqui o atravessamos para a Ilha do Cardoso? Estávamos muito cansados e sem condições de decidirmos nada. Deitamos no trapiche em frente a casa do Sr. Bibi e ali mesmo dormimos... cordei uma hora depois, olhei para o lado e o Sr.bibi continuava lá, ao noso lado, esperando uma resposta. Decidimos que precisávamos descanso. Fomos para os quartos, depois de um bom banho, fomos conhecer a vila, dormimos o restante da tarde, tivemos um jantar delicioso e no dia seguinte atravessamos para a Ilha do Cardoso em um barco de pescadores. Lá pedalamos pela areia, beirando o mar... vento no rosto, felicidade geral. O tempo passa muito rápido nessas horas. Na praia de Leste, encontramos mais pescadores. Ah, de bike, com seu belo peixe amarrado na garupa. Fomos seguindo peladando com ele e já nos combinamos de ele nos atravassar para a Barra do Ararapira, nosso primeiro contato com praias paranaenses. Esperamos abastecmento do barco, arrumamos as bikes e atravesamos um canal que separa a Praia de Lete da barra do Ararapira. A maré baixa impediu que o barco chegasse até o trapiche do lado de lá. El fez uma volta de reconhecimento decidiu que não seria seguro. Tudo bem, então ele nos levou um pouco mais adiante, no inicio da Ilha de Superagui. Alí já começamos a perceber que tínhamos companhias desagradáveis. O mês era novembro e as Butucas estávam ávidas por sangue. Nossa... foi uma correria. Mesmo pedalando as danadas nos picavam.

O sol tava forte, paramos para um lanche e aproveitamos para um banho de mar... somente nós ali na naquela parte da ilha que não há casas... um verdadeiro paraíso. Chegamos então até a Vila de Superagui, um local bastante visitado por turistas, e procuramos nosso segundo ponto de pernoite. Dessa vez, ficamos na casa do Sr. Osni, que em troca de alguns reais, desocupou a casa en nos alugou por aquela noite. Ele tem lá um pequeno restaurante, e também é pescador. Nos fartamos com tantos peixes e camarões. Depois fomos dar uma volta pela vila, conhecemos o fandango, ritmo típico dos antigos pescadores.

Dia seguinte, acordamos muito cedo, café da manhã reforçado e novamente alugamos um barco de pescadores e atavessamos até a Ilha das Peças. Muito bom pedalar com a brisa da manhã ao lado do mar. Vimos gaivotas pescando, vimos muitos botos no mar e descobrimos que ali é um berçario deles. Nossa, eles fizeram uma apresentação de pulos e saltos... inacreitável! Chegamos à vila da Ilha das Peças, com sa casas bonitas, sua cooperativa composta pelas mulheres dos pescadores, que é um exemplo, comemos bolo, café com leite, compramos rosquinhas... um breve descanso e dá-lhe barco novamente para a Ilha do Mel. Bem, aí sim vimos muitos turistas. Há muitos locais turísticos lá, e cada foto revela uma paisagem paradisíaca. Como tem muito turista, claro que o valor de tudo aumentou... fomos à praia, cervejinha, passeamos bastante... estávamos suados e melados do mar. Encontramos um pescador que " alugou" o banheiro da sua casa para que pudéssemos tomar banho. Pegamos outro barco e agora sim, depois de horas, chegamos em Paranaguá.

De lá, o chato é que eles não gostas das bikes nos ônibus. Eu já havia tavado uma batalha por semanas ao telefone e consegui um acordo: embarcamos em dois horários diferentes, para que não lotasse o bagageiro do ônibus com nossas bikes. Foi cansativo, mas o importante é que permitiram. Ah, claro que pagamos excesso de bagaem. Quanto a segunda turma chegou na rodoviária de Curitiba, ainda faltavem 03 horas para nosso embarque para Sorocaba. Bom... saímos pedalando até o Jardim Botânico, um parque lindo como tantos outros de Curitiba, depois fomos até o calçadão do centro, e como era noite de domingo... não havia muitos guardas e pudemos pedalar tranquilamente.

Depois de 03 dias cheios de boas aventuras, voltamos exaustos para Sorocaba... difícil foi acordar na segundona e encarar a rotina do trabalho...

Publicado no Bikers Brasil

DVDs Onde Pedalar