São Miguel Arcanjo à Ilha Comprida de bike
Depois que me mudei para Sorocaba, sempre ouvia falarem do Parque Carlos Botelho e nem imaginava onde era... mas sabia que por lá tinha como chegar até a Ilha Comprida de Bike, e que esse roteiro também era usado por muitos peregrinos. Relato de Dulci Schmidt
O destino sempre dá uma forcinha... conheci o Shark, começamos a falar das peripécias e ele certa hora disse: vamos para a Ilha, passando pelo Carlos Botelho???
Hummmmmm... comecei a pensar numa maneira do jairo (maridão) topar, pois lá em casa o freio de mão é puxado por ele. Bom... ele topou, mas não se emocionou... menos mal. Como sempre: como levar as bikes? Quem nos leva? Mandamos as bikes para São Miguel Arcanjo de carro uma semana antes, e no dia marcado, meia noite o Shark veio nos pegar em casa. No carro 05 ciclistas, dos quais 03 tinham trabalhado até 11:30h.
Chegamos em S. Miguel, na zona rural, pegamos as bikes, arrumamos os alforjes e às 2:30h da madruga, pé na estrada.
Caraca... tava chovendo e frio. Mas só pq choveu dá para desistir? Não! É colocar capa de chuva e encarar.
Depois de uma semana de trabalho, no meio da madrugada, chovendo. Tava ruim? Claro q não, tava perfeito!
Claro que de início o bicho pega, mas depois o corpo esquenta... Um silêncio, ouvíamos somente o canto das catracas. Passamos por S. Miguel, e seguimos até a entrada do Parque. Ao chegarmos no portal, sempre rola emoção, muitas fotos, reabastecer as caramanholas, lanchinho... agora é tranquilo.
O cheiro do mato molhado pela chuvinha que nos acompanhava o barulho dos pneus nas poças dágua, o canto dos pássaros matutinos...a adrenalida de sair de casa com bikes e alforjes... liberdade na veia.
O sono me pegou várias vezes. Já pensou em alguém pedalando e cochilando? Sim, isso é possível, era uma pescada atrás da outra, pensava que iria cair da bike. Quando o alvorecer chegou... o sono me dominava. Dentro do parque, aquele silêncio, todos meio q baqueados, mas nada de reclamar!
Às 6:00h paramos em cima de uma ponte, a chua havia cessado, tiramos os lanches, com direito a garrafa térmica e leite com chocolate fumegando... é hora de recarregar as baterias e tirar 15 minutinhos de soneca.
Nossa, parece que havia dormido por horas.
Subimos nas bikes, mal aquecemos, pneu furado... tudo bem... dali a pouco, outro pneu...
Ah, esqueci de contar que havia um colega com uma speed... para atravessar o parque, só estrada cascalhada.
Visual e cheiro de mato incríveis. A Serra da Macaca é de cair o queixo. Pelo parque passa uma estrada muito usada pelos moradores da região, portanto atenção redobrada.
Ao sairmos do parque, por volta das 10:00h da matina, o colega da Speed notou algo errado no seu cubo traseiro...desmontaram, montaram.... que nada... a viagem para ele terminou ali.
Vi nesse dia uma das coisas mais legais entre os cicloturistas: a responsabilidade de ajudar um amigo em auros.
Bem, um deles levou as mochilas, o outro levantou a speed nos ombros e o terceiro levou-o na garupa. E eu a única menina, só fotografando e achando tudo muito legal.
Entramos no asfalto novamente, rumo à 7 Barras, onde tentaríamos qualquer coisa para ajudá-lo. Nem foi preciso chegar lá, no caminho uma Van parou, perguntou se precisávamos de ajuda e advinhem: eles estavam indo para a Ilha Comprida. Com lágrimas engasgadas, nosso amigo entrou na Van, acomodou a bike no bagageiro e deu adeus... foi de carro para a Ilha.
Nós meio que tristes por perdermos a companhia dele, ficamos um pouco jururus e depois fomos descontraindo. Paramos em 7 Barras, com pouca grana como sempre, fomos em um desses restaurantes: como o quan to aguentar, mas não garantimos a qualidade de nada... Tá bão... eu comi bastante, mas os meninos estraçalharam... imagina um sol a pino na cabeça e os meinos feito jibóias... hauhauahaha, serviu de lição. A galera se arrastou até Registro, entramos na Regis Bitencourt e o stress das carretas começou. Nossa, depois de atravessarmos lugares tão tranquilos, caímos na BR. Vimos imprudências, vimos acidentes, ciclistas sem capacetes... nossa, foram 16 km intermináveis.
Entramos para Pariqueraçu e desaceleramos novamente, pois o merecido descanso depois de 120 km era bem merecido. Ficamos num hotelzinho daqules bem fuleiros, mas quem se importa com isso?
Dia seguinte de Pariquera a Iguape, corpo doendo, mas na boa. Passamos por um alambique velho conhecido, entramos, degusta daqui, experimenta dali, leva um pouco para o pai, outro para o tio... nossa, roubou nossa energia toda...
Mas o final de uma pedalada é sempre bem interessante, pois vem uma carga extra de energia não se de onde e tudo acaba bem.
Chegamos a Iguape, nosso amigo bem religioso entrou na Catedral, agradeceu... fomos rumo à Ilha Comprida, agora tá susse, vamos chegar lá, vai ter comidinha cheirosa nos esperando... que nada!!! A galera que tava lá era muito folgada... tive que chegar e ainda por ordem na cozinha. O que vale é a aventura.
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