Viagem em Bicicleta de Aracaju a Maceió pela praia
Nada como umas férias, descanso, sombra e uma cerveja gelada??? Que nada! As minhas foram um pouco diferente. Meu marido resolveu refazer o percurso Aracajú-Maceió que ele já havia feito há 5 anos atrás, só que desta vez em minha companhia e com um novo desafio: um trecho de 80% de areia de praia a ser pedalado. Por Deborah Feiden e Jackson Santos
Exatamente 04h50min da manhã do dia 4 de janeiro de 2011, tudo começou. Seguimos pelo centro da cidade de Aracaju em direção a Cidade de Pirambú.
As 06h40min da manhã estávamos em Pirambú, após muitas fotos e um banho de chuva para batizar a viagem. Como dependíamos da maré, Jackson foi ver logo a situação, ou seguiríamos a viagem ou teríamos que esperar um pouco a maré baixar. Para aproveitar o tempo tomamos o café da manhã, e com a maré boa para o pedal, seguirmos 40 km de praias deserta até ao povoado Ponta dos Mangues.
Neste trecho, passamos próximo ao projeto Tamar (área protegida, divido a desova de tartarugas marinhas), pegamos “carona” no vácuo de um trator e ainda vimos o local de um naufrágio, já enterrado na areia. Também passarmos pela praia do povoado Lagoa Redonda, onde em outra oportunidade participamos de uma corrida de aventura.
Entre fotos e mais fotos, a pedalada continua até avistarmos um belo manguezal, que foi à deixa para sairíamos da praia e chegarmos ao povoado Ponta dos Mangues, onde pegamos uma pista de barro beirando a praia e o mangue em direção ao povoado de Saramém.
Passamos por outros povoados como Garatuba e Carapitanga, trecho este em pista de barro com areia fofa, e em alguns momentos foi preciso empurrar a bicicleta. Em outro trecho, o pedal do Jackson escapou do pé de vela e ficou preso na sapatilha, foi super engraçado, mas nada que uma chave 15 mm não resolvesse e às 12h10min estávamos no povoado Saramém.
Chegando, procuramos a Val e o Zé, casal de ribeirinhos remanescentes do povoado Cabeço (localizado na Foz do Rio São Francisco, do lado Sergipano, onde o mar avançou alguns quilômetros e engoliu vorazmente esta comunidade ribeirinha, que em seguida foi transferida com suas 80 famílias para o povoado Saramém esse pertencente a Brejo Grande – SE).
Nunca os tínhamos visto e fomos surpreendidos com a excelente recepção e a forma especial que como fomos tratados. Foi reservado o melhor quarto de sua casa para que Jackson e eu recuperássemos nossas energias para o dia seguinte, afinal, pedalamos aproximadamente 95 km no primeiro dia.
Tomamos banhos, almoçamos, descansamos e no finalzinho da tarde fomos à orla do povoado Saramém para mais uma sessão de fotos. No outro dia, logo cedo, partiríamos deste local em direção a Foz, em uma canoa com o Marcelo, irmão do Zé (marido da Val).
As 06h30min saímos do povoado Saramém em direção ao encontro das águas do Rio São Francisco com o mar de Alagoas e Sergipe. Observamos há certa distância, onde era o local do Povoado Cabeço, um farol construído a mando dos holandeses. Hoje, com uma acentuada inclinação, parecendo que pode cair a qualquer momento, nos faz lembrar a torre de Pisa, na Itália, ainda sim, ajuda a contemplar esse belo cenário, do lado sergipano.
Chegando ao encontro do rio com o mar, no lado alagoano, dunas douradas, dão o tom da união perfeita, entre o céu, a água, terra e o homem mesmo que pedalando. Essa é a Foz do São Francisco, que de tão bela, fica a certeza que algo supremo criou aquele local.
Desembarcamos a bicicleta na areia, mais algumas fotos e apreciamos a belíssima paisagem, que muda quase que diariamente em função das marés. Continuamos a pedalada pela foz e Praia do Peba por aproximadamente 25 km, até chegarmos ao povoado do Pontal do Peba.
Seguindo pela praia de areia batida, passamos pela praia de Flexeira e a do Toco, também conhecida por Feliz Deserto. Mas como nem tudo e fácil, entre a praia do Toco e Japu, enfrentamos dificuldades, pois apesar de ser areia batida, havia alguns trechos de ‘empurra bike’, devido à areia muito fofa com pedaços de cascas de massunim esfareladas.
Para compensar, logo em seguida passamos por um naufrágio de um Navio Português onde tiramos algumas fotos.
Passado o naufrágio, seguimos a Miaí de baixo e mais fotos.
Partimos a Miaí de Cima. Pegamos uns 2 km de asfalto para chegar a uma estrada de barro, onde seguimos beirando a praia até cidade de Coruripe e almoçamos no restaurante Zé do Bode.
Com a ‘barriguinha cheia', estávamos nós pedalando outra vez, passando por dentro da cidade de Coruripe e em seguida pegando uma estrada de barro como atalho para chegar a Praia do Pontal do Coruripe.
Nesta praia chupamos sorvete e seguimos por outra estrada de terra beirando a praia. Como a maré estava cheia nessa hora, não teríamos condições para pedalar na areia da praia.
Após alguns quilômetros, chegamos ao povoado Lagoa do Pau encerrando nosso segundo dia de pedal, com aproximadamente 75 km. Pontualmente as 13h00min estávamos na piscina da Pousada Umuarama nos refrescando e descansando para a nossa missão no dia seguinte: 32 ladeiras em direção à Maceió.
Começamos o nosso terceiro e último dia de pedal, as 05h00min na praia da Pituba, e lá estavam elas... As ladeiras que iriam nos massacrar até a cidade de Barra de São Miguel. Com 30 minutos de pedaladas passávamos pelo povoado Poxim, que me recordara boas pescarias.
Ao passarmos pela cidade de Jequiá da Praia, começou o sobe e desce das quase que intermináveis ladeiras, mas nada que uma parada para fotos na praia da Lagoa Azeda não resolva e, tome pedal. Logo chegamos a Praia do Gunga cenário que contempla mais uma bela foto. Agora era só subir mais uma ladeira e estaríamos livres delas, e com um novo companheiro desse momento em diante... o vento contra.
Na cidade da Barra de São Miguel paramos para nos hidratar e seguimos em direção a Praia do Francês onde tomamos café da manhã no posto de combustível.
Saímos do Francês, na certeza que os 25 km de nos separava do final da viagem se aproximava aos poucos em meio à satisfação de missão cumprida. Mas, chegando próximo a ponte que divide a cidade de Marechal Deodoro e Maceió, uma surpresa: Jackson reencontrou seu companheiro de viagem de cinco anos atrás desse mesmo trajeto, o Renato, que fez questão de parar seu carro e tirar algumas fotos para deixarmos de recordação.
Após cruzarmos a ponte Divaldo Suruagy foi como se já tivéssemos em casa....ufa..agora faltavam pouco menos de 15 km. Chegamos por volta de 11h, com 255 km rodados em 12h 30min de pedaladas. Saímos de Aracaju no dia 4 de janeiro e chegamos à Maceió no dia 6 de Janeiro de 2011.
Depois dessa, acredito que 2011 será meu último ano em corridas de aventura. Cicloturismo é uma atividade mais indicada para um “voinha” como eu, rsrsrs, principalmente porque você não precisa correr de ninguém e nem atrás de alguém...além de conseguir tirar muuuitas fotos...totalmente no stres!
Deborah Feiden e Jackson Santos
jacksonsilva@hotmail.com



que maravilha, hein. Sou do RJ, mas já conheci um pouco a região (na parte alagoana). É muito lindo, Deus caprichou quando fez aquilo.
Dúvida: sobre a mecânica da bike, quais os cuidados pra pedalar na areia ?? areia na corrente é tudo de ruim...
Cadê as fotos ?? fiquei com água na boca...
abs,
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