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Estrada dos Diamantes

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Kika (esquerda) e Camila (dir) Kika (esquerda) e Camila (dir)

A Estrada dos Diamantes é a primeira parte da Estrada Real que vai de Diamantina a Ouro Preto. Por Camila Doubek, Fotos Kika e Camila




Algumas considerações:

- Fizemos a viagem a Kika e eu, minha super-companheira de cicloturismo, MTB, caminhada,
roubadas e afins, essas coisas boas da vida.

- Passamos por alguns dilemas para escolher qual trecho faríamos, e estou feliz da vida de ter
escolhido a Estrada dos Diamantes. É tida como a mais difícil, a mais erma. Encontramos 1
ciclista e um grupo de cavaleiros fazendo o caminho.

- Fizemos a viagem em julho. Pegamos todos os dias de sol com céu azul-anil... De dia calor
suportável, pedalamos entre meio-dia e uma da tarde sem dramas. De chorar de lindo. No
verão chove demais, e o que era um mundo de pó vira um de lama.

- Do site da Estrada Real (http://www.estradareal.tur.br/) baixamos e Imprimimos as
altimetrias (usamos muito) e roteiro ponto a ponto (usamos pouco, mas foi importante).

1º. Dia - São Paulo/BH/Diamantina

Saímos, pedalando, pois Congonhas fica a 5km da minha casa. Chegando lá o esperado
CAOS de aeroporto já esperado, já que era começo de férias. O bom é que fomos muito bem
atendidas pelos funcionários da GOL, e pudemos embarcar as bicis sem precisar desmontá-
las, somente colocamos plástico bolha sobre os câmbios. Eu já tive a experiência de despachar
uma bike semi-desmontada num mala-bike e o resultado foi a coroa maior torta e o câmbio
zoado. Fica a dica. No mala-bike os funcionários jogam as bicis, até por não saberem o que
tem dentro, e montadas tomam maior cuidado.

Foto 1 – Bicis prontas para o embarque.

Chegando em BH fomos pedalando de Confins até a rodoviária da cidade. Esse foi nosso vacilo.
O trecho de periferia de BH é de intenso, com alças MUITO perigosas para o ciclista. Entrando
na cidade tivemos de pedalar nas calçadas, o que tornou nosso trecho MUITO demorado. Fica
a dica: indo de avião à BH, pegue um ônibus até a rodoviária.

Lá chegando embarcamos para Diamantina, com a passagem já previamente comprada pela
NET (48 reais, Viação Pássaro Verde). Na rodoviária fomos recepcionadas pelo nosso amigo
Fernando Torres, Belo Horizontino que nos ajudou muito e orientou no começo e no final da
viagem!

2º. e 3º dia - Diamantina

Diamantina é apaixonante, não há como não ficar por lá uns dias. Demos a maior sorte, pois

estava acontecendo a Festa do Divino e à noite a Vesperata, ou serenata ao contrário: os
músicos tocam das varandas e as pessoas assistem da rua, sentadas em mesas (tomando uma
cervejinha). Foi emocionante demais. Tudo em Diamantina nos encantou, pena não termos
conseguido entrar em nenhuma igreja, todas fechadas, como aconteceu na grande maioria
das cidades. De bici fomos ao Cruzeiro, que tem boa vista da cidade e da Serra do Espinhaço
(que nos acompanhou toda viagem, ainda bem), e de lá fomos à Biribiri, linda vila que abriga
estamparia têxtil desativada, com restaurante que serve almoço a bom preço (10 reais) a
13km de Diamantina, com cachoeiras pelo caminho. Nadamos, naturalmente!

Foto 2 Almoço em Biribiri.

Foto 3 Festa do Divino em Diamantina

Acomodação em Diamantina – Pousada Estalagem (38) 3531-1629, custou 55reais, chorando
foi para 50. O Ricardo e a Carmem nos atenderam muito muito bem, e pousada é adorável
com vista maravilhosa. O café da manhã é XOU!

4º. Dia - Diamantina/Milho Verde – 40km

Foto 4 Foto do primeiro marco da estrada.

Agora sim, pedal! Muita areia e costela de vaca, mas nada aterrorizante. Antes de chegar a
São Gonçalo do Rio das Pedras, passamos por um povoado chamado VAU. De lá existe um
atalho para São Gonçalo que vale a pena. Para começar atravessamos o Rio Jequitinhonha,
lindo! Depois veio a forte subida, que, com alforges nos foi impossível subir. Por não estar
no roteiro da Estrada Real, uma moradora gentilmente nos levou até lá. Aliás nossa viagem
se cercou de gentilezas. O povo mineiro dalí é incrivelmente sorridente, solícito, gentil e
calmo. Isso me encantou tanto quanto o visual inesquecível que veria pela frente. Passamos
por São Gonçalo, cidadezinha encantadora, valeu à pena descer até o Rio, onde uma mulher
lavava roupas e outra, cachorros. O solo dos centros históricos daquela região são formados
pelos chamados “pés-de-moleque”, similar à Paraty. É UM SUPLÍCIO PEDALAR NELE! Fiquei
lembrando do paralelepípedo que tanto reclamava e que agora não reclamo mais! Mais alguns
Km e chegamos à pacata Milho Verde. Nos instalamos e decidimos aproveitar uma cachu,
já que a vila é famosa por isso. Nos indicaram a mais próxima: a do moinho, a 1,5km dalí. Só
não nos falaram é que 1km era de descida BRABA, sem descanso. Beleza. Curtimos a cachu
maravilhosa, geladona e subimos para comer MUITO e dormir em paz.

Foto 5 Ponte sobre o Rio Jequitinhonha, em Vau.

Acomodação em Milho Verde – Ficamos na Dona Lourdes, que fica já na saída da cidade em
direção ao serro. A comida dela é muito famosa. As acomodações são muito simples, mas
por estar vazia pegamos o melhor quarto, e pagamos 30 reais cada uma por ele. Com café,
sempre.

5º. Dia – Milho Verde/Conceição do Mato dentro 90km

Foto 6 – Obras de asfaltamento.

Logo no começo da estrada a surpresa desagradável: a estrada de terra sendo preparada

para o asfaltamento. Tirei algumas fotos, pois os impactos à paisagem e ao meio ambiente
são gritantes. É o progresso cobrindo a poeira da estrada... Para cicloturista é ruim, para
a comunidade local talvez nem tanto. Foram 12km de terra e 10 de asfalto. Chegando ao
Serro, uma Cidade com um lindo centro histórico, fomos direto procurar o tal do queijo,
muito famoso. Acabamos degustando pedaços deliciosos na loja da Cachaça Velha Serrana,
que produz o aguardente e o queijo em fazenda alí pertin. Comemos PACAS, ficamos até
constrangidas, tentamos pagar pelo queijo que comemos mas a vendedora gentilmente não
deixou.

Foto 7 – Igreja com famosa escadaria no Serro

Saímos do Serro e pegamos a MG010, pulando a cidade Alvorada de Minas. Entramos para
Itapanhoacanga - demorei para conseguir pronunciar. Todos dizem Itaponhacanga, é mais fácil!
Almoçamos na Val (DELICIA de comida) e seguimos. Atravessamos um morro razoável e
retornamos à MG010. A Estrada Real segue por outro caminho, mas decidimos abreviar o
caminho. A MG010 é uma estrada larga, com algumas costelas de vaca, com longas subidas e
descidas de baixa inclinação mas o problema é quando passam os carros levantando fina
poeira avermelhada que impregnou TUDO, entrou no alforges e sujou tudo que não estava
ensacado. Tudo sob controle até passarmos, lá pelas 5 da tarde pela entrada de uma grande
mineradora, cujos funcionários estavam saindo de seu turno de trabalho a caminho de
Conceição, assim como a gente. Resultado: centenas (sério) de caminhonetes e ônibus
passaram pela gente levantando aquela poeira e, após a noite oferecendo perigo a nós duas,
rezando para ter as nossas luzinhas enxergadas em meio a tanta poeira: foi muito tenso.
Conceição foi a cidade que menos gostei. Com intenso movimento das caminhonetes
Mitsubishi das mineradoras, cidade já grandinha, não muito bonita e que foge do padrão das
cidades históricas que estávamos passando. Fica a dica: não pegue a MG010 direto até
Conceição, apesar de ser tentador: indo pela Estrada Real o ciclista pega somente os 10km
finais para chegar à Conceição. Claro que aos finais de semana o movimento deve ser
infinitamente menor!

Foto 8 A imagem mostra bem a estrada com o caminhão levantando poeirão

Acomodação em Conceição – Devido a tal mineradora, não foi fácil encontrar vaga em
pousadas. Por sorte encontramos a novíssima Pousada Ladeira da Santana (31) 9686-3040,
pladeiradasantana@hotmail.com, onde o André nos tratou muito bem, nos permitindo lavar
TUDO em seu pátio (que tem macaquinhos passando pelas árvores): bici, alforges, capacete,
sapatilhas... A poeira da estrada impregnou tudo. Nós inclusive chegamos com a cara toda
suja, foi um milagre ele ter nos recebido... Pagamos 45 reais.

6º. Dia – Conceição/Tabuleiro/Conceição 27km

Encaramos os 20km até o vilarejo do Tabuleiro para visitar a famosa cachoeira, terceira maior
do Brasil em altura. Subimos sem os alforges, porém ainda estávamos muito cansada do
pedal e stress do dia anterior, de modo que esses 20km com MUITA subida foram sofridos.
Chegamos à vila, comemos um pão com ovo, encomendamos nosso almoço no bar da Cici e
partimos em direção da portaria do parque. Aí sim uma subida DESGRAMADA, tivemos de
empurras as bicis. Sem chance. Deixamos as bicis seguras na portaria do parque, pagamos

5 reais cada de entrada e seguimos a pé pela trilha que leva à parte de baixo da cachu. A
que leva à parte de cima demora horas e precisa de guia. Não tínhamos esse tempo todo!
Assim descemos à corredeira e nos banhamos nos poços gelados e lindos... Voltamos à vila,
comemos e fretamos a pampa do Gil para nos levar de volta à Conceição (facada – 60 reais,
mas pagamos), já que estávamos quebradas e a volta teria bastante subida também.

Foto 9 – Poço e cachoeira do Tabuleiro ao fundo

Existem alguns passeios imperdíveis naquela região. Vale à pena subir com as bagagens e
passar uns dias no vilarejo... O contato de um guia para fazer tais passeios inclusive ver a cachu
do Tabuleiro por cima é o Lucas (31) 9683-9284.

7º. Dia – Conceição/Morro do Pilar 30km

Ah que alívio o pedal em estrada estreita com poucos carros e muito visual. É tudo que eu
precisava. Pegamos água na sede de uma fazenda de 200 anos, coisa linda. Ainda por cima
nos deram suco geladinho de limão capeta (ou cravo, como falamos por aqui). Chegamos na
cidade que é literalmente um morro! Muito pequena e bucólica. Fomos jantar no único lugar
disponível da cidade, dentro da pousada São José (31) 8602-6159. Deliciosa comida farta por
R$7,50 por pessoa (!!!).

Foto 10 Pausa para curtir o visual

Acomodação em Morro do Pilar – Hotel Monsenhor Matos, na subida da Rua principal. Bem
simples. Nos pareceu que a pousada São José seria melhor, mas ficamos bem na Matos.

8º. Dia – Morro do Pilar/Itambé do Mato Dentro 35km

O caminho tem longas subidas, mas muito erma, do jeito que a gente gosta e o melhor: chega
determinado ponto em que se tem quase 360graus de uma vista DE CHORAR DE LINDA,
ficamos quase uma hora apreciando tudo aquilo. Dá para ver lá longe o cânion Bandeirinhas,
da Serra do Cipó! Ah é bonito demais. Um pouco antes desse ponto tem a gruta onde morava
o Domingos, um ermitão que se afastou da sociedade e lá habitou por décadas.

Foto 11 Local onde o Domingos morava, com algumas inscrições rupestres

O importante é saber que por ser muito vazio de tudo, é necessário levar MUITA ÁGUA E
COMIDA. Já a 10km de Itambé, a estrada tem MUITA AREIA, tivemos de empurrar por muitos
trechos. Chegamos em Itambé e já entramos na primeira pousada da cidade “Pensão Boa
Esperança” ou algo assim. Como sempre comida boa e farta. A vista lá é para a pedra “Cabeça
de Boi”, coisa linda. À noite fomos à festa junina (em julho) da escola da cidade. Muito
bucólica, comemos todos os pratos típicos, apesar de termos almoçado momentos antes... No
final das contas o pedal é puxado, mas eu engordei na viagem... hehehe.

Foto 12 – Lavação diária de roupas

Foto 13 Mais uma deliciosa refeição

Acomodação em Itambé - “Pensão Boa Esperança” ou algo assim, onde fomos muito bem

recebidas pela Dna Dirce e pela filha Luciana. Pagamos 40 reais cada por uma boa suíte.
Sentimos falta do pão-de-queijo no café da manhã... Já estávamos mal acostumadas...

9º. Dia – Itambé do Mato Dentro/Nossa Sra. Do Carmo/Ipoema/Bom Jesus do Amparo 50km

Partimos e o progresso já nos encontrou: outra estrada preparada para o asfalto. A sorte é
que era sábado e não havia máquinas na pista... Logo chegamos a Nossa Sra. Do Carmo, lugar
que não nos inspirou muito. Partimos e 16km adiante, com bastante subida (aí já estávamos
acostumadas com elas) chegamos a Ipoema. Essa cidade nos encantou... A pracinha com
igrejinha, as pessoas tranqüilas tomando suas cervejas nos deixou feliz e fizemos o mesmo...

Foto 14 – Uma visão da poeira da Estrada dos Diamantes

Foto 15 – Simpática igreja de Ipoema

Sentamos no restaurante Sabor da Terra, no canto da praça. Um restaurante inusitado onde as
pessoas sentam em grandes mesas, e para ir ao banheiro passa-se pela cozinha e tudo assim
num clima bem despojado, simples e gostoso. Tomamos nossa cervejinha, a Kika comeu um
pastel de angu (eu comí um convencional) e entramos (gratuitamente) no museu do Tropeiro.
Vale muito a pena a visita para entender quem eram eles, a importância e seus objetos
pessoais. Me impressionou, achei interessantíssimo!

O trecho final até Bom Jesus, embora a altimetria nos tranqüilizasse com um trecho sem
muitas subidas, foi puxado. Bastante subida... O trecho foi de asfalto, o que facilitou nossa
vida, confesso! Lá chegando encontramos o guia Fernando, que recepciona e orienta os
ciclotiristas por lá (facebook Fernandoo Gonçalves). Eles nos levou à única pousada da cidade
e à noite, depois de lavar roupas (rotina de todo dia, por sinal) e tomar 1 banho fomos comer
uma pizza na Sabor e Cia.

Acomodação em Bom Jesus do Amparo – Pousada Real (31) 3833-1185 e 3833-1117. É a única
opção na cidade. Pagamos 35 por pessoa com café da manhã. Beleza, mas como dia seguinte
era domingo, a funcionária disse bem assim: “35 com café, mas como amanhã é domingo não
tem café, eu to de folga.” Ahhhhh amiga, e você não tem uma folguista? Bom, ameaçamos
procurar outro lugar (que não tinha), negociamos e conseguimos um belo dum café.

10º. Dia – Bom Jesus do Amparo/Cocais/Barão de Cocais/Sta Bárbara 45km

Saindo de Bom Jesus existe dois caminhos, o indicado na planilha da Estrada Real e o asfalto,
bem mais perto. Fizemos um misto, e deu certo. De Bom Jesus a Cocais fomos seguindo os
marcos, pegamos uma estrada erma linda! Atravessamos a BR duas vezes, mais foi bom pois
não queríamos peladas junto aos carros...

Foto 16 – Grupo de cavaleiros fazendo a Estrada dos Diamantes.

Chegamos a Cocais, distrito de Barão de Cocais, um povoado antigo bem rústico, com uma
igreja linda. Fechada, claro. Comemos na única padaria da cidade, abastecemos as garrafinhas
na bica e seguimos para Br de Cocais, dessa vez por asfalto. O caminho por terra é 4km mais
longo e com uma subida de 8km. A vista deve ser linda, mas decidimos o asfalto, que por
ser domingo estava tranqüilo de movimento. Chegando em Barão, sentimos que se tratava

de uma cidade grande com uma grande indústria logo na entrada... Decidimos tocar para
Sta Bárbara a 8km dalí, menor, mais tranqüila. Seguimos por asfalto também, apesar de
haver alternativa de terra seguindo os marcos. Amamos Sta Bárbara. Logo de cara paramos
no Memorial Afonso Pena, muito bem produzido e organizado, que conta a história desse
político natural de lá e um pouco do Santuário do Caraça, que já estávamos determinadas a ir.
Paramos também nas igrejas da cidade e as apreciamos por fora, as usual. Nos hospedamos
e almojantamos no Restaurante UAI, na principal avenida da cidade por 8 reais, comemos
MUITO bem e fomos EXTREMAMENTE bem atendidas pela Cris e Família.

Foto 17 Entrada do Memorial Afonso Pena

Acomodação em Santa Bárbada – Pousada Novo Milenio na Rua São Geraldo, 125 tel (31)
3832-1314, com o Sr. Raimundo, muito simpático que nos cobrou 20 reais (a mais barata da
viagem) para cada uma de nós com direito a um delicioso café da manhã!!!!!

11º. Dia – Sta Bárbara/Caraça 27km

Acordamos cedo, saímos da cidade pelo atalho da Estrada Real (vale muito a pena, corta
um longo trecho de vias expressas pela city) e seguimos para o Caraça, uma RPPN, Reserva
Particular do Patrimônio Natural. O pedal até a portaria é tranqüilo e maravilhoso. Alguns
speedeiros treinam lá, e um deles nos acompanhou até o santuário. Após a portaria são
11km até a sede. Estávamos preparadas psicologicamente para 11km de SUBIDÃO, pois todos
haviam comentado... Bom, em resumo que a subida é bem tranqüila, e existem 5 laces de
subida puxados, mas a verdade é que naquele momento nada mais nos aterrorizava, subimos
de boa! O visual nos distraiu a Kika até viu macacos atravessando a pista! Chegamos lá felizes.

Foto 18 Começo da subida do Caraça

Ao avistar a igreja e os prédios do Caraça em meio à mata nativa primária cercada por
montanhas rochosas típicas da Serra do Espinhaço ficamos emocionadas diante de tanta
beleza e suntuosidade. Para mim se trata primeiramente de um santuário ecológico, depois
religioso. Conseguimos reservar para dormir uma noite, e como é pensão completa, funciona
assim: você almoça, janta e toma café dia seguinte. Assim sendo, colocamos nossas coisas
no nosso quarto (tudo em prédios do séc XVII), e subimos para o refeitório nos esbaldar em
comida mineira direto do forno à lenha (e eu engordando...). Para nossa surpresa e felicidade
lá encontramos uma amiga cicloturista de São José dos Campos, a Fabi, por sinal, que estava
lá a passeio com o namorado (é programa ótimo a dois). No Caraça existem muitas trilhas que
levam a cachoeiras, grutas, igrejinhas e mirantes para se fazer, e a sinalização é farta, mas não
pode fazer de bici... Não dá para ser perfeito!

Foto 19 – Vista da igreja do Santuário do Mirante

O atrativo MOR que faz a alegria da criançada, é a presença de lobos Guarás que vêm
comer o banquete que os padres colocam na frente da porta da igreja a noite... É realmente
impressionante vê-los assim de perto!! Lembrei que tivemos que ficar plantados um tempinho
até os lobos resolverem aparecer (tem dia que eles não aparecem simplesmente, imagina a
frustração da criançada), e tava MUITO frio.

Foto 20 Lobos Guarás (mãe e filho) atacando o banquete

Acomodação no Caraça – É necessário fazer reserva muito antecipada no Caraça...
Demos sorte de conseguir o quarto (65 para cada com pensão completa), pois
a amiga que encontramos havia reservado em outubro do ano passado! http://
www.santuariodocaraca.com.br/inicial.php

12º. Dia – Caraça/Sta Bárbara 27km

De madrugada a temperatura chegou a abaixo de zero e pela manhã estava 1 grau. Vixe!
O café da manhã no Santuário é outra particularidade: sobre um enorme fogão à lenha,
cada um faz seu café na chapa: desde ovo frito, pães, pães-de-queijo até banana assada... É
extremamente gostoso, divertido e interativo. De novo a criançada se divertindo! O sol brilhou
forte (como em toda viagem ainda bem) e caminhamos até a Cascatinha (que é enorme)
e entrei no poço de cachoeira mais gelado de toda minha vida. Foi renovador e um pouco
assustador também! Renascimento requer sacrifício! Hahaha Pela tarde voltamos para Sta
Bárbara... A descida do Caraça foi ADRENALINA PURA, bati meu recorde de velocidade, peguei
77km/h e um sorriso de 30 min estampado de pura felicidade! Nesse momento acreditei que
os speedeiros pegam mais de 100km/h naquelas descidas! Vixi! Delícia!

13º. Dia – Sta Bárbara/Morro da Água quente 30km

Nesse dia saímos um pouco mais tarde pois o câmbio da Kika estava precisando de regulagem
e então seguiu atrás de uma bicicletaria. Que vergonha de não sabermos regular um câmbio!
Numa cicloviagem é fundamental! Mas trocar pneu eu sou craque, e ainda bem que não foi
preciso.

O caminho saindo de Sta Bárbara é lindo. Vamos sempre tendo a vista do Caraça, e das feridas
abertas pelas mineradoras. Pôxa é mesmo triste demais. Fora que todo dia à hora do almoço
eles estouram os explosivos para retirar as rochas e TUDO treme a longuíssimas distâncias.
Em toda região do Caraça escutamos os tremores de terra. Pensamos na fauna... Bom, pouco
antes de Catas Altas tem a ruína de um aqueduto maravilhoso... É cenário pronto para fotos
maravilhosas, com o Caraça sempre atrás, claro!!

Foto 12 Aqueduto

Catas Altas é algo de MUITO ADORÁVEL, uma vista de babar. A igreja já lembrou as de Ouro
preto pela suntuosidade e arquitetura, reflexo da quantidade de ouro que devem ter tirado
dalí. Conseguimos, pela PRIMEIRA VEZ entrar na igreja, e pasmem: é mais rica em termos
artísticos que as de Ouro Preto e Mariana. Cada retábulo foi feito por um artista diferente,
todos muito trabalhados. As igrejas da Estrada Real são verdadeiros museus de arte, vale à
pena contratar um guia ou ficar de ouvido atento às explicações dos guias contratados por
outras pessoas! Hehehe Saímos da cidade seguindo por estradas de terra que tangenciam
as minerações, chegamos à Morro da Água Quente, adorável vilarejo com capelinha linda.
Ficamos na única pousada da cidade: a Pousada das Nascentes. Para comer, também não
tivemos opção: fomos ao único restaurante da cidade, o Restaurante do Pote, já na beira do
asfalto. Self service (ainda não inventaram um termo eficiente em português para substituir
ISSO) a 8 reais no forno à lenha = nos esbaldamos com a comida mineira deliciosa! Ai que

gostoso que foi!

Foto 22 Catas Altas e o Caraça ao fundo

Acomodação em Morro da Água Quente: Pousada das Nascentes (31) 3832-5062 http://
www.pousadadasnascentes.com/. Lá é necessário negociar mesmo, e a Kika mandou bem.
O preço inicial do quarto era 140 reais e acabou virando 80 reais. Ficamos num chalezinho
adorável com um riachinho passando na frente... BUCÓLICO!

Foto 23 Nosso chalezinho chique

14º. Dia Morro da Água Quente/Sta Rita Durão/Camargos/Mariana 50km

Dia de pedal delicioso. O problema é o começo: saindo de Morro, os marcos nos levam
a pedalar 3km na rodovia sem acostamento, com caminhões GIGANTES da mineradora
passando, e quando isso acontecia na nossa mão tínhamos de descer da bici e entrar na valeta,
pois não tem como os caminhões nos ultrapassar já que na mão oposta passam caminhões
gigantes também! E para a situação ficar completa, o pedal acontece na subida de uma serra!
Então o que deveria passar rapidão demora um pouco... Mas logo que saímos do asfalto
pedalamos num trecho bizarro e maravilhoso e logo chegamos à Sta Rita Durão, e mais um
pedalzinho chegamos a Bento Rodrigues, onde a Kika comeu um ovo frito! Figura ela!

Foto 24 Mais um marco, um dos últimos antes de Mariana

A cidade seguinte era Camargos, e já tínhamos 1 friozinho na barriga de saber que
encararíamos a subidona até Mariana. Bom, na entrada de Camargos vimos uma cachoeira
interessantíssima na beira da estrada, e para não romper com tradições decidimos dar 1
mergulho. Para nosso espanto aquele lugar era LOTADAÇO de borrachudo, do nível Ilhabela
nos bons tempos! Um inferno! Nos molhamos rapidinho e vazamos dalí! Chegando ao centro
do minúsculo vilarejo, também cheio dos insetinhos ficamos sabendo que essa é praga
recente, coisa de cinco anos, que segundo um morador local, uma mineradora que trouxe (...).
Bom, tomamos fôlego e partimos em direção a Mariana. Surpresa: a subida é TRANQUILAÇA,
com várias descidas, inclusive! Não é a primeira vez que a altimetria da Estrada Real apresenta
equívocos, e dessa vez foi para o bem geral da comunidade cicloturista. A estrada é deliciosa
de pedalar, é maravilhosa de ver! Chegamos à Mariana e o impacto foi imediato: CIDADE
GRANDE. A quase 15 dias na roça... Aiaiai doeu. Mas o centro históricos é de tirar o fôlego,
maravilhoso! Comemos um macarrãozinho gostoso e corremos para o Hostel. Havia vagas,
uma sorte pois estava acontecendo o Festival de Inverno.

Foto 25 Chegada feliz à Mariana

Acomodação em Mariana – Hostel Mariana - (31) 3557-1435.
http://www.hostelmariana.com.br/novo/ Apresar do preço 1 pouco salgado para hostel (43reais por
pessoa sem toalha em quarto coletivo com café da manhã) valeu à pena pelo clima gostoso,
pelo silencio do lugar e pelo cafezão. Os donos são muito simpáticos.

15º. Dia – Mariana/Ouro Preto/Mariana 11km – DE TREM (FOI MAL!)

Olha o pedal Mariana/Ouro Preto não aconteceu e não nos sentimos mal pois a estrada é

perigosa, com muito movimento e asfaltada. Fomos com o trem da Vale para Mariana. O
trem nos custou 25 reais, e anda a menos de 10km/h, passa pela periferia das duas cidades,
rios poluídos (com sofás e tanquinhos nas margens) , pelo menos mostrando duas cachoeiras
bonitas. Desculpem o pessimismo: foi medíocre perto do que tínhamos vivenciado na viagem.
E pagar 25 reais para a CIA VALE DO RIO DOCE foi triste. Como meu pai disse: tinha de ser de
graça, caramba! Passeamos por Ouro Preto, lindo! Bem mais turístico. Visitamos as principais
igrejas e museus e voltamos exaustas à Mariana. Dessa vez de coletivo (menos de três reais)...
Nesse dia não havia mais vagas para o Hostel então migramos para o Getsêmani (3557-2667),
que é bem confortável com excelente café, perto da Igreja de Santana.

Foto 26 Trenzinho da Vale

Foto 27 E... OURO PRETO!

Fechamos a viagem com chave de ouro. Aconteceu em Mariana um show aberto ao público
simplesmente do grandioso e mineiríssimo Milton Nascimento, acompanhado pela banda Lado
B, de Jazz. PUTZ SHOW. De chorar de lindo. Sem aperto. Civilizadíssimo! Êeeee Minas Gerais!
Dois amigos de BH foram nos encontrar, foi demais.

Para o retorno peguei uma carona até BH (mas tem ônibus também) e de lá um Gontijo até
o Tietê. Para embarcar a bici tive de pagar, não sob muito protesto, 10 reais para embarcar a
bici. Puta falta de sacanagem.

Feliz da vida.

Subscribe to comments feed Comentários (1 postado)

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rafael Magalhães 01 Agosto, 2011 03:08:17
Meninas parabéns pela viagem!!!
Fiz a Estrada Real inteira, queria o contato de vocês para trocarmos idéias de roteiros e viagens.
Abraços
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