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Nossa primeira Cicloviagem

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Nossa primeira Cicloviagem

Um parte da Rota Cicloturistica Costa Verde e Mar Por Jorge Andriani


No ano de 2000, resolvi comprar uma bike para incentivar meu sobrinho que iniciava no esporte
ciclístico na categoria Mountain bike. Por impulso e sem conhecimento, fui à loja e comprei uma
Sundown Top Hill. Achei o máximo. Saímos para pedalar juntos algumas vezes, mas ele logo perdeu o
interesse quando começou a namorar. Eu também me apaixonei, mas pela bike. Com o tempo comecei
a conhecer outras pessoas que pedalavam e então comecei a melhorar a minha Sundown com
equipamentos mais precisos para o pedal. Na maioria das vezes meus pedais eram solo. O tempo foi
passando e a bike foi ficando também meio esquecida e por problemas de saúde e fiquei dois anos sem
pedalar.

Em maio deste ano (2011) voltei a pedalar. Convidei um casal de amigos, daqueles que topam tudo que
é aventura. Era feriado, primeiro de maio e resolvemos visitar a Fesbraer, Feira de aeromodelismo que
acontece todos os anos em Gaspar - SC. Na época minha impressora estava com problemas e não pude
imprimir o mapa da região onde iríamos pedalar e acabei levando um mapa rascunhado que havia feito
há tempos atrás. Assim o pedal que era para ser bem light com almoço na feira. Por um erro de leitura,
acabamos bem longe do pretendido. Já cansados e com fome paramos em uma venda e comemos um
pão com lingüiça e coca-cola. Enfim, pedalamos o dia inteiro, foram 83 km. Para um retorno após dois
anos, foi demais.

Hoje (setembro), já estamos mais acostumados, pois fazemos parte de uma turma muito legal que
pedala todas as 2ª e 4ª feira e também aos sábados, que é a Tribo das Bikes. Tribo das Bikes também é
uma loja especializada em bikes aqui de Itajaí - SC.

Após este primeiro de maio, fiquei empolgado em alçar vôos mais longos. As ciclo viagens. Comecei a
pesquisar na internet e acabei descobrindo que aqui em nossa Bela e Santa Catarina, temos os dois
únicos Roteiros Ciclo Turísticos oficiais do Brasil, e como uma coisa leva a outra, comecei a fazer meus
planejamentos.

Assim, há duas semanas, convidei o casal de amigos, que topa qualquer aventura, para fazermos juntos,
uma parte do Circuito Costa Verde & Mar, que fica praticamente no quintal de nossa casa. Itajaí é o
centro do circuito. Assim, isso facilitaria a logística para realizarmos o roteiro fracionado. Resolvi avisar a
todos do Grupo Tribo das Bikes, para ver se outros tinham interesse em se juntar a nós. Recebi apenas o
telefonema da amiga Iná que quis saber mais informações e acabou se engajando na empreitada. Então
iniciou a programação e saímos no sábado dia 03 de setembro, onde iniciaríamos por Navegantes
passando por Penha, Balneário Piçarras e alcançando Luiz Alves no primeiro dia.

Maria Luiza, Janiro, Iná e eu (Jorge) partimos no sábado dia 03/09/11. A previsão dizia que seria tempo
ensolarado para sábado e domingo. Como temos visto que as previsões do tempo não são assim tão
precisas, nossa saída que também estava prevista para as 08:30, acabou ocorrendo as 09:00 horas. Nada
anormal para uma previsão, tudo dentro da média. O tempo por sua vez também não estava
ensolarado, mas completamente nublado, se bem que as nuvens não davam indícios de chuva.

A saída foi de minha casa no bairro São Vicente em Itajaí, distante 4 km da Rota que iniciaria em
Navegantes. Ao chegar à cidade vizinha, combinamos que a Maria Luiza iria ficar com o velocímetro na
distancia real e eu iria zerar para fazer as contagens parciais de acordo com a quilometragem do livreto.
Assim, zerei meu velocímetro e partimos em direção a praia. No caminho vimos alguns motociclistas e
lembramos que era a semana de comemoração ao 49º aniversário de Navegantes. Resolvemos então

seguir até o molhe da Barra para bater uma foto, mas foi em vão, pois estava fechado para obras, mas
mesmo assim batemos uma foto ali a margem do Rio Itajaí-Açú para registrar.

Seguimos pela Avenida Beira Mar que dá acesso à cidade de Penha. No caminho, paramos no Hotel Los
Amigos, onde pegamos nosso primeiro selo da viagem. Ali acabamos encontrando nossas amigas Rose e
Naiana. A Rose em breve estará com sua bike própria para poder nos acompanhar nas próximas viagens.

Na divisa de Navegantes com Penha, tem a praia de Gravata, local com um belo visual. Resolvemos
parar para registrar em foto. Nos preparávamos para bater a foto sobre o deck que acompanha a praia e
acabamos conhecendo um casal muito simpático que nos vendo, tomaram a iniciativa de comentar que
também pedalam a muito tempo. Após alguns minutos de conversa, batemos foto com eles, Antonio e
Leda. Um dia certamente nos encontraremos em outro pedal.

Seguimos o roteiro que nos levou a Praia Vermelha e dali a plataforma de vôo livre, onde dois adeptos
até tentaram voar, mas assim como às vezes o mar não está para peixe, o vento naquele momento
também não estava para vôo. Então resolvemos seguir viagem.

Paramos mais a frente para tomar uma água e neste momento a Iná de sobressalto nota que está sem
sua pochete que levava amarrada a cintura. Lembra daquele comercial de cerveja do Beto Barbosa do
cara com uma tanga de crochê, paletó xadrez e uma pochete dançando, adocica meu amor adocica...
era a própria pochete. Neste momento pensei meu Deus a mulher deixou toda a grana e documentos no
chão na beira da estrada bem no tope do morro onde paramos para descansar depois de nossa primeira
subida. Tenho que sair na corrida para buscar. Assim o Janiro e a Maria Luiza ficaram com a Iná e eu saio
em disparada atrás da tal pochete. Ao sair, pedi ao meu Santo protetor. – São Jorge, guarde a bendita
pochete e faça com que o pessoal não a note. Se bem que seria realmente um milagre o pessoal passar
e não ver a pochete do Beto Barbosa descansando a beira de uma estrada praticamente deserta, bem
no tope do morro. Mas São Jorge é Santo guerreiro e fez o tal milagre. Após varias subidas e descidas, já
quase sem fôlego, ao fazer o ultimo esforço para chegar ao ponto onde paramos, avistei algo que
parecia ser a cinta da pochete. Eu subindo de um lado e um carro subindo do outro e a pochete entre
nós. Mas cheguei a tempo, pois o pessoal do carro acabou olhando para o meu cansaço e não notou a
pochete. Parei, apanhei-a do chão, afivelei e coloquei em meu pescoço e voltei ao local onde os três me
esperavam. Seguimos caminho rumo às praias de Armação. Com isso nosso atraso só aumentava, mas
como estávamos fazendo turismo, o atraso não importava. A previsão de almoço era em Balneário
Piçarras, mas acabamos almoçando em Penha. Já eram 13:30 quando achamos um restaurante que
servia Buffet, o Tio Patinhas. Local simples e agradável de comida tipicamente caseira e extremamente
deliciosa. Estacionamos nossas bikes bem a frente das mesas para ficar de olho nelas. Neste restaurante
encontrei uma sobrinha que ficou surpresa ao me ver de bike fazendo esta ciclo viagem. Após o almoço
seguimos pela rota, mas ao verificar as horas, notei que estávamos super atrasados, pois era para sair
de Balneário Piçarras as 13:30 e já eram 15:30 e ainda não havíamos chegado lá. Então resolvemos
acelerar para recuperar um pouco do tempo perdido. Passamos pelo Posto de Informações Turísticas de
Balneário Piçarras, mas para a nossa surpresa, estava fechado. Para quem quer ser uma cidade turística,
fechar o Posto de informações turísticas no final de semana é quase igual ao restaurante fechar no
horário do almoço. Como nos foi orientado, batemos uma foto com todos defronte o local para provar
que passamos por ali. Seguimos então para Luiz Alves. Cruzamos a BR 101 e iniciamos o trajeto para o
interior. Assim que deixamos o asfalto, percebemos que iríamos comer muito pó.

Recomendamos aos que farão este trajeto que ao sair de Balneário Piçarras, levem barras de cereais,
lanche ou frutas, pois no caminho não existe local onde se possa comprar.

Ao entardecer, o sol já baixo ofuscava a vista e prejudicava-nos a visão, principalmente nas descidas.
Quando passava um carro, ficava mais complicado pela poeira. Em uma dessas descidas, a Maria Luiza
acabou pegando uma pequena depressão feita por um caminhão e acabou escorregando a roda
dianteira o que a levou ao chão. Ficamos preocupados, pois uma queda por menor que seja, pode ser
bem complicada, mas graças a Deus, foram só pequenas escoriações. Depois do susto e das gargalhadas
e de restabelecida as avarias, seguimos viagem. Importante não se esquecer de uma pequena bolsinha de primeiros

socorros contendo, gaze, povedine, band-aid, esparadrapo, relaxante muscular, remédio para dores em geral e luvas. A
importância desse primeiro socorro é justamente fazer uma assepsia e evitar que este ferimento se agrave com inflamação pela
não higienização. A luva é justamente para evitar mais contaminação quando na limpeza dos ferimentos. Já o relaxante
muscular aliviará a dor que virá depois do acidente. Em casos mais graves, aconselhamos procurar um atendimento médico
hospitalar. Após a queda, nunca remova a vitima de imediato sem uma avaliação prévia de seus ferimentos, pois na ânsia de
ajudar, poderemos complicar mais ainda as possíveis lesões. Um pequeno curso de primeiro socorros sempre será útil. Quem
sabe reunindo um grupo de ciclistas e conversando com o pessoal do Corpo de Bombeiros de sua cidade, eles possam ministrar
um cursinho básico.

Como já estávamos atrasados, chegamos ao Hotel Colinas já passando das 20:OO horas. Fomos
recepcionados pelo Carlos que é o responsável pelo hotel. Gente finíssima, de uma simpatia a dar inveja
a qualquer atendente de cartão de credito. Carlos é o tipo de pessoa que cobra o escanteio, corre para
cabecear e ainda vai para a arquibancada gritar o gol com a torcida. Após um merecido banho onde
retiramos mais de quilo de poeira, fomos jantar. Carlos preparou um lanche que fez repor todas as
energias perdidas durante a viagem. Batemos um breve papo e logo fomos dormir.

Pela manhã, Carlos já nos esperava com um delicioso café matinal. Durante o café, batemos mais um
bom papo com o Carlos reforçando o inicio de uma grande amizade. Contando algumas partes da
viagem e rimos muito. Carlos é daquelas figuras que mesmo conhecida recentemente, parece que já o
conhecíamos há muito tempo.

Nos ajeitamos, colocamos as bagagens nas bikes, batemos a foto defronte ao Hotel Colinas junto com o
Carlos e seguimos para a igreja, ponto de partida de Luiz Alves.

Nesta manhã de domingo o sol estava forte. Já havíamos nos preparado com o protetor solar e
seguimos viagem. Para nossa surpresa, a rota estava interrompida, pois havia desfile de 7 de setembro.
Como éramos turistas, ficamos vendo o desfile. Uma hora depois, seguimos nossa viagem.
Primeiramente pela rodovia e depois pegamos a estrada do interior rumo a Ilhota. O trajeto circundava
o morro do Baú do lado oposto a área que sofreu maior abalo com as chuvas de 2008. Chegamos a
Ilhota por volta de 13:20. Para nosso espanto, ao perguntarmos sobre um restaurante, o rapaz indagou
surpreso. - Aberto hoje? Como tínhamos que pegar o selo do trajeto no Hotel Ilhota, que fica na direção
oposta da Rota, achamos no caminho uma daquelas TV pornográfica de cachorros, onde na tela sempre
ficam varias galinhas de pernas abertas pegando um bronze. Ali perguntamos se ele conhecia algum
restaurante e prontamente nos informou que havia um na rua defronte a lombada eletrônica. (a
primeira sentido Itajaí Blumenau). Encontramos o Restaurante Baumgart, de propriedade do senhor
Jorge que também já foi ciclista em Blumenau. Outro local simples e muito aconchegante de comida
tipicamente caseira e super deliciosa. Seu Jorge nos atendeu com entusiasmo e simpatia, marca
registrada das pequenas cidades. Após o almoço fomos até o Hotel Ilhota, pegamos o selo e seguimos
nosso trajeto, desta feita pelo interior de Ilhota, seguindo até Laranjeiras, já em Itajaí onde
atravessamos a rodovia Antonio Heil que dá acesso a cidade de Brusque. Seguimos pelo bairro Arraial
dos Cunha (Itajaí), e daí até a Itaipava, onde deixamos a Rota Costa Sol e Mar, nos dirigindo ao centro de
Itajaí.

A Maria Luiza e o Janiro, já ficaram em casa, pois moram no bairro Itaipava. Iná e eu, seguimos pela
avenida Itaipava rumo ao centro de Itajaí, onde terminaríamos nossa jornada.

Foi uma experiência incrível. Poder seguir com amigos em uma aventura de bike por caminhos
conhecidos e outros ainda inéditos. Conhecer nossos limites de força e resistência física. Conviver com
pessoas que por mais amigos que sejam tem pensamentos e atitudes diferentes a suas, mas saber que
todos tem a liberdade de falar, reclamar e ao final ainda continuar amigos. Isso faz parte da matemática
da vida, pois em alguns momentos somamos nossas idéias, em outros, subtraímos alguns interesses,
mas alguém acaba não concordando e dividem opiniões e acabam multiplicando as discórdias, mas ao
final todos entendem que o ultimo sinal tem que ser a igualdade. Isso é saber conviver, somando,
diminuindo, dividindo e multiplicando e ao final se igualando no convívio.

Coisas que aprendi nesta viagem. Aprendi que pedalar mais que 40 km no dia nos faz perder a
oportunidade de fazer turismo. Perdemos a oportunidade de observar mais as paisagens do caminho,
de interagir mais com os moradores dos vilarejos e com estes poder tirar fotos e mostrar quem somos e
o que estamos fazendo. Deixamos de parar mais vezes para beber água, comer algo e de jogar conversa
fora conhecendo melhor nossos companheiros de viagem. Aprendi que alguém com fome pode ficar
arrelio, irritado e se desgarrar do grupo. Assim, devemos sempre levar um lanchinho para roer nas
paradas do caminho. Aprendi que ao entardecer, devemos fechar a boca e serrar os olhos, pois os
mosquitinhos andam em bando no meio da estrada e estas proteínas podem não fazer muito bem.
Aprendi que não é muito interessante pedalar no ocaso, pois por acaso este pode nos cegar
aumentando o risco de acidente. Assim devemos programar para chegar ao destino ainda com a luz do
dia. Aprendi que por mais que alguém possa achar que está certo, ainda poderá estar cometendo
atitudes erradas do ponto de vista de alguém.

Coisas que vi nesta viagem. Vi que assim como o vento modela as árvores nas encostas, o tempo e a
convivência com pessoas, moldam nossas atitudes. Vi a falta de consciência ecológica dos transeuntes
que no caminho deixam latas de cerveja, garrafas de refrigerante e água e sacos de salgadinho. Vi o
descaso de agricultores que não respeitam a natureza, desmatando encostas e lembrei-me de 2008. Vi
quão bela é a natureza que Deus nos deu e vi que o paraíso certamente é aqui. Vi também que se não
cuidar, não durará muito. Vi o zelo de uma mãe para com seu filhote, um bezerro de semana que
curioso correu ao nosso encontro e ela em disparada cercava protegendo-o. Assim lembrei-me das mães
que super protegem seus filhos e lembrei também da minha. Percebo a cada dia que as discórdias do
convívio são necessárias e servem para refletirmos e reconsiderarmos nossas condutas e atitudes para
com os que nos cercam. Vi e aprendi que vale muito viver entre uma pedalada.

Veja mais em: http://www.bikerexpres.blogspot.com/

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