Saímos bem animados da pousada da dona Natalina, não antes de limpar e lubrificar as correntes das bikes, o dia estava muito bonito e sabíamos que os primeiros quilômetros seriam de descida até o vilarejo de Barra. Despedimo-nos de Dona Natalina que tão bem nos acolheu, e seguimos em frente, de inicio tem uma pequena subida, depois muitas descidas até Barra que é um distrito de Ouro Fino. O visual da descida é lindo e tivemos que fazer mais uma parada para trocar o pneu da bike do Mafra, este pneu ainda nos daria muito trabalho pelo caminho.

Estávamos ficando craques em arrumar pneus, mas esta parada tinha uma vista sensacional, e não sabíamos se primeiro trocávamos o pneu ou fotografávamos as paisagens. Depois de arrumarmos o pneu continuamos descendo a estrada que é bem técnica em alguns pontos e chegamos a Barra, fomos na Pousada Tio João onde fomos bem atendidos pela Joelma, carimbamos a credencial, conversamos um pouco, ela nos disse que a maioria dos ciclistas que passam ali tem sempre muita pressa e nem sentam para tomar um copo de água, num sei até onde é interessante fazer uma viagem como esta com pressa, já que uma das melhores coisas que uma viagem de bicicleta nos trás, é o contato com as pessoas, principalmente em lugares do interior.
Próximo a Barra
Próximo a Barra

 

Em seguida saímos do vilarejo e um morro forte e bem íngreme logo na saída nos deu canseira, tivemos que empurrar as bikes por alguns quilômetros montanha à cima. Depois encontramos uma cachoeirinha e um ponto de água potável, são vários pontos de água potável ao longo do Caminho da Fé, muito bom encontrá-los e sempre conhecemos pessoas amigas e hospitaleiras que abrem suas propriedades para receber os peregrinos.

caminho seguiu subindo até um plano onde havia cafezais, o visual era lindo, muitas montanhas a perder de vista, daí descemos para uma fazenda muito bela, e depois de pedalar chegamos em Crisólia onde carimbamos a credencial no Restaurante da Zeti. Mais uma pessoa muito bacana que recebe os peregrinos.

Pedalamos por uma estrada, mais larga e com poucas subidas, até chegarmos na cidade de Ouro Fino e encontrarmos a escultura do Menino da Porteira, foi parada obrigatória para tirar fotos, além de nós, muitos carros paravam ali para fotografar o menino que deve ter mais de 20 metros de altura e chama a atenção de quem passa pela estrada. Almoçamos em um restaurante por 8 reais no sistema coma a vontade (mais uma vez comida boa e barata) as bikes ficaram guardadas dentro de uma garagem fechada ao lado do restaurante.

Depois de um bom almoço, saímos pedalando, minha gripe acabou me preocupando um pouco, pois ficou mais forte e comecei a sentir muito cansaço, mas fui pedalando tranqüilo, para um dos trechos mais tranqüilos de todo o Caminho da Fé até aquele momento, apesar de ser estrada de terra, as condições são boas, e muitos planos e descidas até chegar a cidade de Inconfidentes, onde a parada no bar do seu Maurão ( peregrino que já fez o caminho até Aparecida por 20 vezes) é obrigatória, não apenas para carimbar a credencial, mas também pela conversa.


Seu Maurão nos avisou que até Borda da Mata a estrada é tranqüila, apenas um morro mais forte. Já na estrada vimos que o Maurão realmente tinha razão, na saída de Inconfidentes o caminho vai por uma estrada de asfalto, mas depois de uns 2 km entra em uma estradinha de terra bem tranqüila e assim vai até próximo do km 14 onde aparece uma subida mais forte, depois continua tranqüilo e se pega apenas mais uma subida um pouco mais forte, o caminho de Inconfidentes até Borda da Mata é tranqüilo em 2 horas se faz. Foi neste trecho que encontramos pela primeira vez com peregrinos caminhantes. Parada para uma boa conversa e tirar fotos com o pessoal foi inevitável.
O simpático Sr. Maurão
O simpático Sr. Maurão
Com os peregrinos caminhantes
Com os peregrinos caminhantes

 

Chegamos à cidade por volta das 5 horas da tarde e nos hospedamos no Hotel Vilage. Hotel central que atende além dos peregrinos muitos viajantes que estão a trabalho pela região. Cada um ficou em um quarto, que eram bons com tv e banheiro. De noite fomos jantar de baixo de chuva e a preocupação com a situação das estradas no dia seguinte começaram. Por volta das 22 horas fomos dormir já que a cidade estava vazia acho que todos preferiram ficar em suas casas devido à chuva…
No caminho para Borda da Mata
No caminho para Borda da Mata

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